Amizade Azul

Sobre como compus meu primeiro samba sem meu pai e como “entrei” para a Portela:

Todo samba conta uma história. A história da primeira letra de samba que compus sozinho – Amizade Azul – é essa…

Trem do Samba, parada em Oswaldo Cruz. Depois de algumas cervejas pelo caminho, vemos Dinho e Guaracy, da Portela, parados em um ponto de ônibus, o que parece algo estranho, afinal um show deles – com toda a Velha Guarda e outras Velhas Guardas – estava previsto na Portelinha, há uns 500 metros dali… Paramos para conversar com eles.
Guaracy, fardado com o belo azul da Portela, exibe em sua lapela um lindo broche, a altaneira águia, símbolo de sua escola, o que logo é notado pelo Vicente (Badá).

– Que belo broche Guaracy…

– Você gostou?

– Claro, é lindo.

– Toma, é um presente para você…

– O que é isso Guaracy, não posso aceitar um broche tão lindo como esse…

– Toda semana me dão um desse. Toma. A amizade vale muito mais que isso.

Algumas semanas depois fui, a convite da Mara, à Portela, conhecer finalmente o Portelão. Recebido como parte da família, me senti em casa. Uma feijoada caprichada e um show da Velha Guarda da Portela, com direito a presença de membros de outras escolas e o recém chegado Wilson Moreira, completaram aquela mágica tarde de sábado, aumentando ainda mais meu sentimento de pertencimento àquele lugar, àquela gente, e tudo que eles representavam. Explode coração! Qual não foi minha surpresa quando Marquinhos, grande amigo da Mara e amante da Portela, me perguntou:

– Você gosta da Portela?

– Claro, é impossível não gostar – respondi.

– Então vem aqui que eu vou te dar uma camisa.

Dizendo isso me levou ao local onde se vendiam as camisas e me comprou uma. Eu, meio sem jeito, aceitei o presente, meio sem graça, meio sem saber o que fazer, como responder, como retribuir àquele homem, apaixonado por sua escola, que, apesar de ter acabado de me conhecer, já me presenteava com uma camisa tão bela… Eu precisava de uma noite de sono.

Acordei no dia seguinte, ainda meio bêbado, e escrevi uns versos sobre o dia anterior… Fui desenvolvendo e em poucos minutos tinha em minha mão um samba, em homenagem à Portela, ao Marquinhos, ao Guaracy, e às belíssimas experiências que vivi, sob o azul do céu, em Oswaldo Cruz, lar do azul da Portela. Quão grande é esse azul? Meu samba responde. Pedi ajuda para um grande amigo, Alexandre Domingues (filho da Mara), para acabar de musicar, dadas as minhas limitações.

Amizade Azul (09/01/2011)

Eu sempre soube
Mas não tinha certeza
Do meu sangue azul
Da minha nobreza
Cuja riqueza
Não é material
É algo sem igual
De enorme beleza

Marquinhos me presenteou
Com a camisa da Portela
De seu grande amor

Mestre Guaracy também mostrou
Quanto vale a amizade
Como é puro seu valor

E é pra eles que hoje verso
Exaltando nosso azul
Que é maior que o universo

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