Protestos R$ 0,20

Devo à minha formação na escola (CEAT) e na família a minha visão crítica sobre a sociedade. Nunca aceitei naturalizar as contradições e injustiças que nos cercam. Em um certo junho de 2013 minha geração resolveu protestar: de um lado impostos caros, preços caros, serviços públicos medíocres; no meio a injustiça gritante; do outro lado minorias privilegiadas, abuso do poderio econômico, uma burocracia ineficiente e corrupta, grandes estádios. Não, é óbvio que não foi só por 20 centavos.

Protesto dia 13/06, da Candelária à ALERJ. Primeiro protesto de maior magnitude:
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Rio Branco, 17/06/2013. Escalei um poste para tirar essa foto, e, no susto, recebi uma bandeira do Brasil dos manifestantes. Ao levantá-la – e antes que eu percebesse do que se tratava – a comoção foi geral, começaram a cantar em coro o hino nacional. Emocionante, mas minhas bandeiras são outras…

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Aqui um amigo me retratou no exato momento, em cima do poste com a bandeira em mãos:
postebrasil

Aqui o vídeo que gravei lá de cima, enquanto a galera cantava o hino:

Dia 20/06 rolou, de longe, a maior passeata que já vi. A estatísticas oficiais falaram em 300 mil, mas eu duvido que tinha menos de 1 milhão:
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Nesse dia a polícia desceu o cacete, desligou as câmeras da CET Rio, apagou as luzes, jogou bombas de gás lacrimogênio de helicóptero e do solo, spray de pimenta liberado, bombas de efeito moral, balas de borracha e usou até o caveirão para reprimir o protesto. No dia seguinte escrevi na minha página do feissbuc:

“Absurda a noite de ontem. O que vi, o que estou vendo, os relatos. Se por um lado os políticos e a grande mídia estão assustados com o que veem – e não entendem -, por outro me assusta a falta de articulação e muitas vozes dentro do movimento. A minoria exaltada que “vandaliza” no final da maioria dos protestos está em todo o Brasil, um claro sinal do nível de desespero e de indignação da juventude do nosso país. Eu que ontem estava protestando pacificamente (levei apenas ideias, cartazes e canetas) tomei, como milhares e milhares de pessoas, gás lacrimogêneo na cara de forma aleatória. E enquanto tentava respirar, ou mesmo enxergar, me orientando apenas pelo amigo Miguelito, ainda era obrigado a ouvir a merda do hino nacional. Brasileiro com orgulho é o caralho, esse é um país de merda que oprime há séculos a maioria esmagadora da população em favor de minorias privilegiadas, desde que foi dividido entre uma dúzia de donatários a despeito das centenas de milhares de habitantes que viviam aqui há milênios. Quem me conhece sabe que eu nunca mantive uma euforia ingênua sobre os protestos, e uma reflexão mais séria traz receios sobre o futuro do movimento e sobre a repressão a ele. O que a PM fez ontem foi deplorável, mas é bom que assim cai a máscara desse democracídio (isso é, para aqueles olhos desatentos que ainda não perceberam isso).

Mas isso não diminui a vontade de lutar, pelo contrário, temos que disputar o país, o mundo. Eu nunca achei que seria fácil. Não será.”

No dia 24/06 fui até a porta da Globo protestar (como voltaria a fazer algumas vezes depois), com poucas centenas de pessoas (a maioria moradores do Horto). Creio que seja fundamental desmascarar os que mentem para a gente, nos manipulam (ver reflexões>mídia aqui no blog). Fui lá e dei meu recado:

GGG

Dia 25/06 rolou a plenária no IFCS, um encontro muito bonito, apesar de pouco produtivo (na minha opinião):
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Dia 13/07 rolou um grande ato no Centro, puxado pelas centrais sindicais. No dia seguinte postei essa foto, e um pequeno texto resumindo minha estratégia nas manifestações:

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Pré-night nos portestu é hora da foto pro Face. Em geral levo vários cartazes em branco (ou vermelho), canetas e ideias. Me confraternizo com os militantes históricos, de partidos, sindicatos, movimentos e com pessoas aleatórias, infiltrados, mendigos, anarco-punks indignados, um ou outro policial… Dou uma hostilizada de leve na Globo, faço intervenções criativas e tomo uma cervejinha, mais pra diluir o gás que a galera dos efeitos especiais adora. Minha seriedade está nas ideias, que, de forma lúdica, compartilho na rua. Bomba de efeito moral imaterial!

Esse dia (13/7) rolou uma das cenas mais bizarras que já vi. Guerra civil ao som do hino nacional, na Almirante Barroso, altura da Rio Branco. Esse vídeo eu fiz, novamente, em cima de um poste:

Dia 17/7 rolou o fora Cabral no Leblon. A quebra dos vidros da loja Toulon causou mais impacto na mídia do que a morte de 13 seres humanos na Maré. Levei helicópteros de brinquedo (junto de cachorrinhos, simbolizando a cadelinha do governador que passeia nas alturas) e pendurei em placas e numa árvore.

fcfc

Cenas do protesto contra o Cabral:

Dia 22/7 foi dia de dar alô para o Papa. Na imagem abaixo da pra ter noção da quantidade de policiais envolvidos no esquema de segurança. Foi nesse dia que vazou até para a grande imprensa o uso recorrente de policiais a paisana (p2) nos protestos. Nesse dia, logo após o Papa partir, um deles lançou um molotov contra a própria polícia, e depois correu para o meio das fileiras policiais, já mudando de roupa.

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O vídeo abaixo ajuda a ver a magnitude do protesto. “Cadê o Amarildo?” era um dos gritos de ordem. No vídeo é possível ver um carro da polícia sendo expulso pela multidão, e um boneco-judas do Cabral queimando.

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